Riscos tecnológicos: probabilidades e valores

Nome do Pesquisador: Renato Rodrigues Kinouchi

Agência de fomento: Sem financiamento

Vigência: jun/14 à jun/18

Resumo: Este projeto visa analisar o conceito de risco, especialmente quando associado às novas tecnologias.Mais geralmente, pretende-se discutir como o advento da tecnociência potencializa a imbricação entre fatos e valores, e como dentre tais valores predomina o valor econômico. Com efeito, o valor econômico deve ser reconhecido como um valor stricto sensu, o que significa pensar a economia (e a ciência econômica) não apenas como uma questão de fatos, mas como estando também fortemente imbrincada a valores (tal como pensa Putnam). Em um nível mais específico, pretendemos mostrar como o conceito de “risco” é um conceito espesso, no qual fatos e valores encontram-se completamente imbrincados. Com efeito, a definição atuarial de risco diz que este é o produto da probabilidade de um evento pela magnitude do dano gerado (Shrader-Frechette, 1985). A probabilidade, por sua vez, consiste em um número no intervalo 0 – 1 usualmente obtido mediante o registro de séries de frequências de eventos no longo termo. Esses eventos são de natureza fatual e passíveis de serem numericamente tratados. Por outro lado, para que seja possível proceder o cálculo atuarial e a securitização dos bens sob risco, a magnitude do dano também deve ser numérica, e para tanto atribui-se um valor monetário a ela. Isso é possível porque o valor monetário é um valor e ao mesmo tempo possui uma forma numérica. O risco atuarial, consequentemente, é o produto numérico da expectativa de um fato por um valor, e a securitização é a transferência para outrem desse risco mediante o pagamento do valor monetário da apólice. A partir dessas considerações, a pesquisa pode desenvolver-se em ao menos três direções: (1) as teorias do valor qualitativo (que sustentam a avaliação) e a teoria do valor quantificado, para a qual todos os entes do mundo possuem um valor segundo uma escala econômica, a saber, monetária (Simmel, 2004); (2) a teoria da ação racional, a teoria da decisão e suas metodologias (Hansson, 2009; Weirich, 2004), à qual necessariamente se liga um certo ethos e um certo conjunto de valores, e até mesmo de dispositivos técnicos de controle da natureza e dos humanos tais como as técnicas financeiras de securitização (Jarrige, 2014; Fressoz, 2012); 3) a aplicação desse dispositivo técnico ao gerenciamento das aplicações tecnológicas, ao aprofundamento da transformação do meio ambiente em meio técnico, e a ameaça de desaparecimento do meio natural e do próprio homem (Belot et al., 1999; Kermisch & Hottois, 2007; Martins, 2012).

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