A construção de registros de representação geométrica por alunos cegos

Nome do Pesquisador: Elisabete Marcon Mello

Agência de fomento: Sem financiamento

Vigência: 05/2018 à 04/2020

Resumo: Esse projeto pretende investigar se o fato do aluno cego ter a possibilidade de construir seus próprios registros de representação geométrica o ajudaria a analisar, compreender e resolver problemas geométricos. Para esse fim, utilizaremos a Prancheta de Desenho em Relevo Positiva, que é um material que permite criar desenhos com pontos em relevo de forma contínua, sem ter que pressionar ponto a ponto. Para atingir nosso objetivo geral, delineamos alguns objetivos específicos: • Verificar se o aluno cego reconhece objetos geométricos representados em relevo no papel, antes de começar a fazer seus próprios desenhos; • Investigar a relação entre a descrição oral do desenho que o aluno cego pretende fazer e o que realmente fez no papel, observando se ele reconhece seu próprio desenho. De acordo com Duval (2009), a particularidade da aprendizagem das matemáticas considera que as atividades cognitivas de conceitualização, raciocínio, resolução de problemas e compreensão de textos, requerem a utilização de sistemas de expressão e de representação além da linguagem natural ou das imagens; requerem sistemas variados de escritas para números, notações simbólicas para os objetos, escrituras algébricas e lógicas que contenham o estatuto de línguas paralelas à linguagem natural para exprimir as relações e as operações, figuras geométricas, representações em perspectiva, gráficos, etc. Para o autor as representações não são somente necessárias para fins de comunicação, elas são igualmente essenciais à atividade cognitiva do pensamento. Ressalta que o funcionamento cognitivo do pensamento humano se revela inseparável da existência de uma diversidade de registros semióticos de representação. Se, como afirma Duval (1999), a única maneira de se ter acesso aos objetos matemáticos é por meio de representações semióticas, e essas representações são imprescindíveis para o funcionamento cognitivo, é necessário assegurar esse acesso aos alunos cegos para que seu aprendizado não seja prejudicado. Nossa investigação busca compreender como alunos cegos interagem com os registros de representação geométrica e como essa interação interfere em seu aprendizado, para isso pretendemos trabalhar com alunos cegos, do ensino fundamental e médio, que frequentam salas de aula comuns. Os dados poderão ser coletados por meio de atividades a serem aplicadas a esses alunos em seu ambiente escolar e por meio de conversas com seus professores. Nessas condições, de acordo com as características descritas por Creswell (2010), nossa pesquisa é qualitativa. Para o autor, nesse tipo de pesquisa os pesquisadores fazem uma interpretação do que enxergam, ouvem e entendem. Suas interpretações não podem ser separadas de suas origens, história, contextos e entendimentos anteriores. Os pesquisadores qualitativos tentam desenvolver um quadro complexo do problema ou questão que está sendo estudado, envolvendo o relato de múltiplas perspectivas, a identificação dos muitos fatores envolvidos em uma situação e, em geral, o esboço do quadro mais amplo que emerge. De acordo com Bogdan E Biklen (1982), os indivíduos que fazem investigação qualitativa privilegiam, essencialmente, a compreensão dos comportamentos a partir da perspectiva dos sujeitos da investigação e, normalmente, recolhem os dados em função de um contato aprofundado com os indivíduos, nos seus contextos ecológicos naturais. Por meio das atividades, verificaremos a possibilidade do aluno cego criar registros de representação com o uso da Prancheta e analisaremos quais as contribuições desse tipo de tarefa para o desenvolvimento cognitivo desse aluno. As primeiras atividades deverão ter como finalidade a interação do aluno com a prancheta de desenho em relevo, que será seu material de trabalho.

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